Autor: bocadobrilho

  • Pense rápido

    Eduardo Pimentel precisa pensar rápido. Ficar no PSD e correr o risco de enfrentar um adversário ou adversária do PL nas eleições de 2028 ou migrar para a sigla?

    Ou ainda, menos radical, migrar para o Novo, que além de compor a base do novo Governo Estadual, possui forte presença na prefeitura. Presença que, mesmo sob acusação de traidores, Eduardo manteve.

    Precipitado? Pelos próximos 4 anos o Governador será Sérgio Moro. Isso é inevitável. Existe grande chance de ser também Flávio Bolsonaro.

    Na política, quem adere cedo a um novo governo leva espaço. Quem adere tarde leva sobra.

  • Lixo

    Curitiba sempre se destacou pela limpeza dos espaço públicos, mas tem enfrentado um problema grande na gestão do lixo.

    Ao caminhar pela cidade é comum encontrar montes de lixos revirados por todos os cantos. A ação tem sido potencializada por catadores que abrem os sacos e deixam tudo espalhado. Este é um fato difícil de controlar, é claro, mas algo precisa ser feito.

    É até incrível pensar que em 2026 as pessoas se livrem de seus lixos apenas jogando-os na rua em frente a sua casa ou comércio.

    Mas diversas soluções existem. Curitiba mesmo já testou algumas como, por exemplo, lixeiras com armazenamento no subsolo. Elas foram instaladas em locais de maior movimentação, como praças. Mas deveriam ser instaladas em toda a cidade.

    A solução talvez não seja a mais barata. Mas infelizmente do jeito que está, não da pra continuar.

  • Audiência a qualquer custo

    É difícil saber se algumas questões levantadas hoje pela mídia tradicional são, de fato, ingenuidade ou sensacionalismo.

    Considerando que se trata do grupo RPC, é difícil acreditar que seja ingenuidade. E se analisarmos pra onde está caminhando o péssimo senso crítico editoral do grupo, podemos concluir que seja mesmo sensacionalismo. Não a toa vem perdendo audiência a cada ano.

    Confesso que ligar a TV e ver a RPC questionando se a cidade deveria ter mais espaço para os pedestres é algo que me revolta de um jeito que faz da TV hoje, em minha casa, apenas mais um objeto decorativo.

  • Eleições 2028

    Com o fim das eleições estaduais é mais que natural que os olhares, pensamentos e análises se voltem para a eleição municipal, em 2028. E uma coisa vos digo: se Eduardo Pimentel não movimentar sua gestão, correrá sérios riscos.

    Pautas prometidas e sonhadas pelos curitibanos como enterramento dos fios, centro vivo, fim de moradores de rua, de fato ainda não vingaram.

    A Licitação do transporte, emperrada. Complexo do Tarumã, do jeito que anda não sei se fica pronto até lá. Nunca vi uma obra que está quase acabando nunca acabar. E convenhamos, ficou ruim. A Victor Ferreira do Amaral tem faixa exclusiva onde os ônibus não andam. Horrível.

    Viaduto do Orleans, viaduto do Botânico, Tv. Nestor de Castro, promessas que nem começaram e dificilmente ficarão prontos em 2 anos.

    Parece longe mas na gestão pública o que era pra ser em 2028 já deveria estar sendo feito. E o que está sendo feito é uma gestão insossa.

    Em pouco tempo, aliados de Cristina Graeml farão ela perceber que foi usada pela equipe de Ratinho durante as eleições de 2026, só pra tentar roubar votos de Moro. Eduardo e sua equipe não conseguiam disfarçar a rivalidade. Não dividia nem palco com ela. Chegou a pedir votos pra rivais da chapa como Deltan.

    Greca pode até amar seu pupilo, mas a fome de poder e o ego maior que a barriga podem trazer surpresas, ainda mais depois de perder uma eleição após ter seu nome rechaçado pelo Governador.

    Requião Filho, que não seria nenhuma surpresa nessa disputa, é claro, saíram fortalecidos nessa eleição e vão incomodar ainda mais.

    E, claro, o clã vencedor. Moro ficará satisfeito com o prefeito “aliado” ou tentará abocanhar a prefeitura também?

    Tudo pode acontecer e Eduardo precisa acordar.

    O tempo urge.

  • Acidentes em alta.

    Durante o ano de 2025, Curitiba registrou 9.229 atendimentos de vítimas de acidentes de trânsito na rede pública de saúde. São mais de 25 atendimentos por dia.

    No mesmo período, 209 pessoas vieram a óbito em acidentes. Um crescimento de 29,8% se comparado com 2024.

    Os número são uma evidência clara da incompetência desta gestão nas políticas de trânsito da nossa cidade. O que não é de se surpreender.

    Obras para todos os lados que visam mais pistas, mais velocidade, mais carros…

    Além disso, o custo destes acidentes supera os R$ 37 milhões anuais apenas para a rede pública de saúde. Um valor que parece não preocupar os gestores.

    A Linha Verde virou o novo autódromo de Curitiba. Sons de escapamentos em competição são ouvidos a quilômetros de distancia durante a madrugada. Aos finais de semana então…

    Mas os gestores parecem não se preocupar com isso.

  • Centro vivo!

    Um dos principais programas do atual prefeito de Curitiba Eduardo Pimentel tem sido o Curitiba de Volta ao Centro. O programa prevê revitalizações, incentivos para restauro de imóveis, reforço na segurança, valorização cultural, entre outras ações. Uma iniciativa louvável e que aparentemente começa a dar resultados.

    Neste sábado, passando pela Rua Saldanha Marinho, me deparei com a loja da OUS. Uma marca curitibana, voltada para o público skatista e que tem se destacado no mercado nacional.

    Mas o que chama a atenção é a loja, que surpreende pela beleza e requinte, digna de estar na Rua Oscar Freire, em São Paulo – e a localização na, pasmem, Rua Saldanha Marinho.

    E não é a Saldanha Marinho da Presidente Taunay, no Batel. É a Saldanha Marinho da Catedral. No calçadão. Ao lado do conhecido Beco do Mijo. Um dos pontos mais macabros da nossa cidade.

    Mas outro aspecto também chama a atenção. O poder transformador. A OUS trouxe ao lado da sua loja um pequeno café, com cadeiras e meses espalhados pelo calçadão. Mais pra frente alguns bares, mais populares, próximos do tradicionalíssimo Armazém Califórnia, também trazem vida para a rua. O que antes era um lugar de medo, no sábado era um lugar de festa, descanso, conversas…

    Este trecho da Saldanha Marinho possui um potencial enorme, mas sempre foi renegado pelos gestores. Se a política do Curitiba de Volta ao Centro realmente teve alguma influência na instalação da loja da OUS, eu não sei dizer. Mas que iniciativas como estas podem transformar nosso centro e devem ser incentivadas ao máximo, isso eu não tenho dúvidas.

    Parabéns para a OUS pela decisão corajosa de se instalar nesse local. Obrigado pela decisão que, com certeza, incentivará outras decisões como esta na região. E sucesso para a Prefeitura no projeto. O centro de Curitiba é uma delícia e precisamos aprender a redescobri-lo.

  • A Curitiba do futuro

    Ao se referir as obras que estão ocorrendo na cidade o Prefeito Eduardo Pimentel diz que está preparando a cidade para o futuro.

    Viadutos, alargamento de ruas, complexos viários, concreto…

    É, definitivamente a Curitiba do futuro será pro carro. Não para as pessoas…

    Triste.

  • Peci é show. É tropical.

    Peci deu show ontem com a apresentação Peci e o Tempero, no Teatro Paiol. Com um repertório que mistura músicas autorais – já na boca do público e clássicos da música pop tropical brasileira, fez a plateia dançar, cantar e se emocionar.

    Vi Peci pela primeira vez se apresentando em cima de um engradado de cerveja na frente do Bar Patuá, no Largo da Ordem. De passagem ouvi sua voz e parei. Logo de início percebi seu talento e carisma. Peguei uma cerveja e acompanhei a apresentação. Em poucos minutos o público já ocupava toda a calçada até a rua e foi ao delírio quando ele desceu do “palco” e arrastando a multidão parou carros, ônibus e quem mais estivesse passando, puxando todos em canto e movimento e finalizando em cima de um carro que acabou com o teto amassado.

    Pois é, o episódio pode parecer um pouco louco, mas demonstra a energia contagiante de suas apresentações e, claro, o encanto tropical da sua voz. Peci é um talento raro em Curitiba, sempre tão cinza e sóbria, e que precisa ser reconhecido. Peci vai longe.

    Sucesso!

  • Novo Viaduto do Orleans. A solução que não resolve nada.

    Na tarde desta segunda-feira (14) a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Estado do Paraná, anunciaram a contratação da obra para implantação do Viaduto do Orleans. Uma obra, de fato, aguardada há anos e necessária.

    O projeto prevê a construção de um segundo viaduto ao lado do atual viaduto na continuação da Av. Toaldo Túlio.

    Um detalhe, porém, não pode passar despercebido. As imagens demonstram que a “solução” na verdade jogará o trânsito da Toaldo Túlio para a Rua Mons. Boleslau Falarz. Uma rua que possui uma quadra de extensão. E depois o trânsito é novamente devolvido para a Toaldo Túlio. Será apenas um U para desviar o trânsito da ponte, porém, com os semáforos mantidos.

    Oras, todos que moram na região sabem que o verdadeiro problema são os semáforos. O acesso para quem vem pela rodovia e precisa acessar o bairro é totalmente paralisado pelos semáforos. Consequêntemente quem está na Toaldo Túlio e precisa cruzar a rodovia também depende destes semáforos. São horríveis.

    No passado a própria prefeitura já havia anunciado uma solução com duas alças de acesso que eliminavam os semáforos. Uma solução obviamente mais complexa e cara, mas que resolveria o problema.

    Infelizmente a solução apresentada ontem não resolverá nada e os moradores da região que há anos sonham com esta solução ficarão a ver navios.

    O mais irônico de tudo isso é que o próprio desenho apresentado pela prefeitura já demonstra os carros parados no semáforo.

    Lamentável.

  • Viva o World Smart City Awards

    A maioria das cidades, não só as brasileiras, foi planejada e construída sob uma perspectiva rodoviarista, ou seja, que prioriza o automóvel.

    Esta visão não só trouxe diversos impactos em nossa sociedade como moldou nossas cidades. Fez elas crescerem, distancias diminuírem, indústrias se desenvolverem, mas hoje vivemos o que podemos considerar como o ápice deste estilo de vida e, claro, suas consequências. As cidades já não aguentam mais a quantidade de automóveis, o trânsito é caótico, as calçadas apertadas, o ar é poluído, os acidentes são mortais, a violência no trânsito é constante, enfim. Talvez este não tenha sido o melhor jeito de pensar nossas cidades.

    Amsterdã e Copenhague, por exemplo, são cidades que já nos anos 1970 perceberam que planejar uma cidade para o carro, e não para as pessoas, era um erro. Curitiba também tem destaque nessa questão quando em 1972 implantou o calçadão da Rua XV, o primeiro calçadão do Brasil. Mas apesar de se vangloriar com o que foi feito no passado, foi incapaz de avançar neste conceito nos anos seguintes. Pelo contrário, retroagimos.

    Na tentativa de remediar esta situação e vender a imagem de cidade inteligente, para as pessoas, a prefeitura está realizando o fechamento de um trecho da Rua Conselheiro Laurindo, em frente ao Teatro Guaíra. A iniciativa tem lá seus méritos. De fato, precisamos rever esta lógica de cidade para o automóvel e pensar na cidade para as pessoas. Mas isso precisa estar alinhado a um conceito muito mais amplo de cidade. Não adianta restringir o carro, sem ter uma ciclovia ou um transporte coletivo de qualidade. Não adianta tentar incentivar o comércio e a volta ao centro, sem ter segurança, calçadas acessíveis ou sequer uma árvore para fazer uma sombra. E nesse sentido é só olhar ao redor para perceber que a ação promovida pela prefeitura não passa de marketing. Do outro lado da praça, a calçada em frente a Universidade Federal do Paraná, está largada. Atravessar a Praça Santos Andrade é missão apenas aos mais corajosos ou comerciantes de ilícitos. Os ônibus e seus usuários sofrem para conseguir vencer o trânsito infernal da Rua Mariano Torres. A Rua Tibagi não possui sequer uma única árvore plantada, isso na cidade sustentabilidade. Os patinetes de aluguel, restritos aos bairros do Centro, Batel e Centro Cívico, com exceção da Av. Sete de Setembro, da Mariano Torres e das margens do Rio Belém, não encontram uma ciclovia. Como circular com tais patinetes em nossas calçadas? É difícil.

    O próprio fechamento da Rua Conselheiro Laurindo, uma rua que praticamente ninguém usava, é uma demonstração da falta de coragem da administração que está disposta a enfrentar a questão desde que não prejudique o trânsito. Ou seja, nada enfrenta.

    Mas, ao que tudo indica, com o fechamento da rua tudo será resolvido e Curitiba continuará sendo uma World Smart City Awards.

    O marketing sempre venceu em Curitiba. Vencerá outra vez?